sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

-TEXTO DE TEREZA COLLOR


TEXTO DE TEREZA COLLOR

Publicado por Mendonça Neto, Jornal Extra - Rio de Janeiro .

Carta aberta ao Senador Renan Calheiros

"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria 24 h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!
Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 - que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar - você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em Murici, até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar
o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.

Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser Parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito.
Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento De vencedor.
Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palacios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei."

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível." Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: "Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!"

Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez.
Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio das ilusões de moço!
Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.

E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha - e é tudo seu, montanha e glória - ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, e cujos olhos indecifráveis Intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola?
Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal?
No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blinda-lo.

E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba - é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira - absolver Renan no Conselho de Ética - consagre a sua carreira.
Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan.

Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:

1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil, 2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil, 3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil, 4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil .. E SÒ.

Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!
Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000.Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000. 
Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome delaranjas? Que herança moral você deixa para seus descendentes?. 

Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena?
Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices.
Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!

Por favor, divulguem pro Brasil inteiro pra ver se o congresso cria vergonha na cara. 

Os alagoanos agradecem.

Thereza Collor.

"Brasil mostra a tua cara que eu quero ver quem paga pra tu ficar assim, Brasil qual o teu negócio o nome do teu sócio, confia em mim" (Jeorge Cardozo).

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

-Egressos de PT, PV e PSOL formam linha de frente de partido de Marina Silva





RevistaValorEconômico

""Em processo de construção, o partido da presidenciável e ex-ministra Marina Silva está ganhando forma país afora. A maioria dos coordenadores nos Estados já está definida. O perfil é essencialmente de egressos do PT e do PV, com mais um tanto de dissidentes do PSOL, como a ex-senadora e hoje vereadora de Maceió, Heloisa Helena, e, em menor proporção, de outras siglas como PDT e PPS. Até agora, não há indícios de que a legenda de Marina fará um estrago como o que o PSD do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, causou ao DEM. Há oriundos do Movimento por uma Nova Política (criado após a saída de Marina do PV em 2011) - e sem filiação partidária prévia - e sobretudo políticos sem mandato.

É o caso do ex-deputado federal pelo PV José Fernando Aparecido de Oliveira, que deixou de concorrer à reeleição à Câmara, em 2010, e criou palanque para a campanha presidencial de Marina em Minas Gerais ao disputar o governo do Estado. O político, filiado ao PPS, é filho do ex-ministro, embaixador e governador do Distrito Federal, José Aparecido de Oliveira (1929-2007).

No Paraná, a articulação do partido está a cargo da ex-deputada federal pelo PT Drª Clair, que também passou pelo PV. No Amazonas, quem encabeça a legenda é Marcus Barros, ex-presidente do Ibama durante a gestão de Marina no Ministério do Meio Ambiente.

Entre os que detêm funções públicas se destacam o diretor-presidente do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), João Guerino Balestrassi, e o secretário de Meio Ambiente de Pernambuco, Sérgio Xavier que também foi candidato a governador em 2010. Neste Estado, há outro petista de origem entre os coordenadores: o ex-deputado estadual Roberto Leandro, que ainda consta como integrante da Executiva do PV pernambucano.

Em Goiás, Marina Silva desfalca o PSOL. Ali, o articulador é o presidente do diretório estadual, Martiniano Cavalcante, também membro da Executiva nacional da sigla. Em outubro, Cavalcante foi afastado pelo PSOL por ter tomado dinheiro emprestado do bicheiro Carlos Cachoeira, investigado em CPI no Congresso. Em dezembro, no entanto, a direção do PSOL reintegrou o dirigente às suas funções partidárias e justificou ter feito um "pré-julgamento do filiado" que causou "óbvios prejuízos à sua trajetória política de destacado dirigente da esquerda brasileira".

No Piauí, o partido de Marina nasce das costelas de um PT dilacerado, que viu a debandada de 312 militantes depois das eleições municipais. O grupo é encabeçado por um dos fundadores do PT no Estado, o ex-vereador Luter Gonçalves.

A liderança no Rio de Janeiro vem do movimento ambientalista: é Carlos Henrique Painel, que foi um dos coordenadores da Cúpula dos Povos, durante a Rio+20, no ano passado, e pertence ao Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais (Fboms).

Em São Paulo, o ex-presidente do Ibama Bazileu Margarido, e um dos colaboradores mais próximos de Marina, representa um grupo com várias lideranças, entre os quais o deputado federal Walter Feldman, que deve se transferir do PSDB para a nova sigla; o ex-deputado federal Luciano Zica, com passagem pelo PT e PV, e o vereador da capital Ricardo Young (PPS).

A tendência à oligarquização, como mostra a história dos partidos, não só os brasileiros, é quase inevitável. Mas um dos objetivos dos marineiros é construir uma estrutura menos hierarquizada. "O PV sueco, por exemplo, não tem presidente, mas dois porta-vozes, um homem e uma mulher", afirma Pedro Ivo Batista, assessor político de Marina e responsável pela articulação nacional do partido.

O grupo está em processo acelerado de mobilização nos Estados. Reuniões prévias estão sendo feitas para a plenária que ocorrerá no dia 16, em Brasília, onde se definirá oficialmente pela criação da sigla.

No Maranhão, por exemplo, o encontro foi no dia 25. Ali, o comando do processo está com o deputado federal Domingos Dutra, que, conforme antecipou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor, anunciou que sairá do PT, em razão da aliança da legenda no Estado com a família Sarney.

Outra dissidente do PT e depois do PV, como Marina, está na linha de frente da organização na Bahia: é Rose Bassuma, mulher do ex-deputado federal Luiz Carlos Bassuma, que montou palanque do PV em 2010 e concorreu a governador. Também um dos líderes baianos é o secretário de formação do diretório estadual e integrante do diretório nacional do PSOL Ícaro Argolo.
Tem também a frente da construção do partido no Estado da Bahia, o professor Jeorge Cardozo que foi um dos criadores do Setorial de Educação do PSOL, candidato a vereador por Salvador e a deputado estadual.

No Ceará, o apoio de Marina Silva ao candidato do PDT à Prefeitura de Fortaleza, Heitor Férrer, no ano passado, lhe rendeu algumas adesões como a do dentista e professor Galba Gomes - pedetista histórico - e de Paulo Lima, o Polô, que hoje está na sigla, mas concorreu ao Senado em 2010 pelo PV e foi filiado ao PT.
    

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

- SOBRE A POLÍTICA ALMEIDENSE!


                                      

Por Jeorge Luiz Cardozo*

    Há momentos em que o passado se revela em mim, e isso acontece porque sou provocado. Tinha dito que não mais falaria sobre o resultado da eleição Almeidense de 2012... o que já não é tão comum. Já falei em artigos anteriores sobre a compra de votos desavergonhada feita pelo grupo vencedor do pleito almeidense. No entanto, fui provocado por um individuo desse grupo que, tem lá suas razões quando disse que Ito também comprou votos e, de fato, é provável que o tenha comprado. Mas, vou mais longe. Se de fato, Ito comprou votos, no entanto, gastou muito e de forma errônea. Digo isso porque se o dilema da política almeidense é o que, quem ganha tem que comprar votos (não que concorde com essa premissa, mas, foi isso que aconteceu), cabia a Ito então, gastar melhor o seu dinheiro, digo, dinheiro da campanha, quando o alcaide fez tantas carreatas com gastos astronômicos, poderia então, ter guardado o dinheiro pra os últimos dias de campanha quando, na verdade, houve o assedio financeiro do grupo vencedor sobre o eleitorado, fazendo cair por terra todas às pesquisas que, até então, dava vitória folgada a Ito.
   
   Pra um simples professor de filosofia política como eu, ao analisar tal fato, verificamos que houve, por parte de Ito e seu grupo, se não, certa ingenuidade ou, subestimou os seus adversários. Seja lá qual foi à alternativa, somos levados a crer que Ito perdeu a reeleição pra se mesmo, ao passo que cometeu erros ingênuos durante a campanha. É claro, que não podemos tirar o mérito do grupo vencedor que, foi mais inteligente e, acima de tudo, demonstrou ter um grupo mais coeso e com mais experiência e, por que não, com mais dinheiro do que o grupo de Ito. Se não tem mais dinheiro, soube melhor gastar.
  
  O lamentável de tudo isso, fica por conta da população almeidense que, foi educada ao longo de sua história política, como sendo ela, a política, objeto de favores e compras de votos. Ta explicado então porque o nosso querido município continua o mesmo, ou seja, sem desenvolvimento, sem educação de qualidade, sem saúde de qualidade, etc., etc., etc.
   Enquanto os agentes públicos almeidenses não tomarem vergonha na cara (se é que os tenham) vamos construir um Almeida com prisma deformado e sua gente viverá mais miséria e falta de necessidades básicas, do que luar.
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*Jeorge Luiz Cardozo é professor universitário mestre.

-A JUVENTUDE E A EFEMERIDADE DO AMOR!


                                     

Por Jeorge Cardozo*

   Todo amor é um portal aberto pra outra dimensão: o inesplicado. O amor é uma verdadeira metáfora do tempo, transformando, na maioria das vezes, pessoas sérias em assassino e assassino em pessoas sérias, pois, o que temos diante deste gesto é uma metamorfose de explosões cósmicas diante de nossos olhos. Costumamos dizer que o amor é o mais belo dos sentimentos, como se ele, não fosse efêmero e, muitas vezes, passam em nossas vidas como um relâmpago e, em outras, como uma eternidade, e isso não deixa de ser verdade. Entretanto, existe algo hoje em dia, que descongela ou afirma essa premissa: nossa juventude atual. Pra essa ‘galera’, o amor é uma varinha de condão que descongela o sentimento no instante em que ‘ficam’ com outro (a).
   Pra essa ‘galera’ o amor é um sentimento que tem sua efemeridade no instante que aparece outro (a), pra dar a tal da ‘ficada’, e cada pessoa que mergulha nessas efemeridades diversas, deixam um novo ente, geralmente para os avôs criarem e, logo, saem atrás de outra ‘ficada’: cada um só encontra no amor, o que fez dele. Além disso, o significado do amor muda com o passar de uma boca pra outra, pois, beijar na boca hoje em dia, nas baladas é questão de disputa entre os jovens. Até aí, tudo maravilhosamente bem, pois, quem não gosta de beijar? Eu adoro. O Problema é a tal ‘ficada’, que, deixa um novo ente, geralmente pra os avôs aposentados dar conta.
   Variam, também, os níveis de percepção dessa efemeridade do amor na atualidade. Isso acorre, na verdade, dentro de um novo paradigma delineado pelos meios de comunicações de massa, em especial, a televisão, com todas as suas artes: novelas, programas de auditórios adultos e infantis, filmes e etc., com suas artimanhas que, até mesmo a classe média que tem certo acesso ao conhecimento, não é capaz de perceber as dimensões ideológicas delineada pela sociedade de consumo inteiramente insuspeitas para os leigos. Da mesma forma, o amor efêmero tem se consolidado como forma moderna de relação, caso hoje, pra dar trabalho ao judiciário amanhã pra fazer o divórcio. Por isso, não caso, ficar e beijar na boca é muito melhor. Sem filhos inesperado, claro.
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*Jeorge Luiz Cardozo é professor universitário mestre.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

-DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO.




Por Jeorge Cardozo

A divisão social do trabalho é o modo como se distribui o trabalho nas diferentes sociedades ou estruturas socioeconômicas e que surge quando grupos de produtores realizam atividades específicas em consequência do avanço dum certo grau de desenvolvimento das forças produtivas e de organização interna das comunidades. Com a determinação de funções para 
as formas variadas e múltiplas do trabalho constituem-se grupos sociais que se diferenciam de acordo com a sua implantação no processo de produção. Tais grupos correspondem ao estatuto que adquirem dentro da sociedade e ao trabalho que executam.
Numa fase inicial, a divisão do trabalho limitava-se a uma distribuição de tarefas entre homens e mulheres ou entre adultos, anciãos ou crianças, em virtude da força física, das necessidades ou do acaso, sem que tal conduzisse ao aparecimento de grupos especializados de pessoas com os seus próprios interesses ou características, não originando, portanto diferenças de natureza social.
O desenvolvimento da agricultura originou profundas divisões sociais no trabalho. Os arroteamentos florestais, os grandes saneamentos de zonas pantanosas, a introdução de pesados instrumentos agrícolas, a lavra da terra com a ajuda de animais de tração, tornaram-se trabalhos demasiado pesados que acentuassem uma separação de atividades entre homens e mulheres, com a concomitante passagem do matriarcado ao patriarcado.
Esta mudança abriu uma brecha na organização gentílica e refletiu na posse dos bens materiais. A família adquiriu a característica de uma unidade de produção e de transmissão hereditária de bens, entretanto acumulados. A divisão social do trabalho entre os sexos tornou-se muito nítida. Os trabalhos domésticos foram-se transformando em ofícios especializados e as mulheres, sobretudo a partir da introdução do arado, terão deixado o trabalho agrícola mais pesado e dedicado mais à horticultura, á recolha de frutos e plantas comestíveis, criação de animas doméstico, à fiação, tecelagem e olaria, atividades concretizadas em áreas muito próximas dos próprios locais de residência. As mulheres ficaram assim excluídas duma participação ativa na vida social e política, situação que ocorreu em todas as civilizações. Não gozavam de qualquer dos privilégios políticos conferidos pela cidadania, não participando em assembléia  na magistratura ou em qualquer posição social comparável. É claro que havia diferenças entre as mulheres escravas, as mulheres de homens livres ou as de membros de nível elevado da sociedade. Mas, mesmo nestes casos, em que as mulheres nada produziam e gozavam de condições materiais excelentes na sua vida quotidiana, a sua existência desenrolava-se meramente num contexto dum sistema de vida patriarcal.
As tribos que povoavam territórios dotados de ricas pastagens tendem a abandonar a agricultura e a dedicar-se à criação intensiva de animais, originando a formação de comunidades nômades. À medida que se desenvolve a atividade agrária, destacam-se as tribos com atividades exclusivamente pastoris. Esta separação contribuiu para elevar sensivelmente a produtividade do trabalho e criou as premissas materiais para o aparecimento da propriedade privada.
A ocupação de todo o tempo de alguns indivíduos na atividade agrícola impede que se dediquem simultaneamente a produzir os instrumentos e os artefatos que lhes são necessários. O uso de novos instrumentos de trabalho mais aperfeiçoados e complexos determina uma especialização que contribuiu para o aparecimento dos artesãos, indivíduos dedicados exclusivamente ao seu fabrico e manutenção. Surgem assim artífices independentes que ocupam a totalidade do seu tempo na criação desses meios de produção, que depois terão de trocar por gêneros alimentícios. O desenvolvimento destas atividades especializadas culmina na separação entre o artesanato e a agricultura, que conduziu à intensificação das trocas diretas internas e, posteriormente, das trocas indiretas através do mercado e, por fim, ao aparecimento da atividade mercantil. Esta especialização do trabalho tende a alargar-se à pesca. O papel dos agricultores-pescadores tende a diminuir para aumentar o de profissionais voltados exclusivamente para esta faina, quer na água doce, quer no mar.
À medida que aparecem profissões diversificadas, acontece que os indivíduos mais concentrados num determinado tipo de atividade têm de recorrer à troca daquilo que produzem pelos objetos que eles próprios não produzem, mas de que precisam a fim de satisfazer as suas necessidades profissionais, além das individuais ou familiares. A intensificação do intercâmbio entre estes grupos de produtores especializados, a formação de excedentes e a entrega de tributos em dinheiro às classes com um estatuto dominante, ampliou a necessidade de produzir artigos destinados à troca, dando lugar à produção com um propósito mercantil e à formação duma classe de mercadores.
A divisão do trabalho desencadeada pelo incremento da atividade comercial, ligada à ampliação das aditividades transformadoras e da navegação, deslocou o centro dos interesses econômicos do interior para o litoral. Ao lado da divisão entre agricultores, artesãos e mercadores, passou a existir outra, entre trabalhadores rurais e citadinos, que corresponde, total ou parcialmente, à oposição entre o campo e a cidade. Na estrutura urbana observa-se uma distinção entre sectores comerciais, administrativos, culturais, transportadores, artesanais e até agrícolas, fenômeno com menor relevância nos meios rurais.
A divisão social do trabalho manifesta-se também entre trabalho mental e material. O processo geral alcançado a nível bastante elevado de separação entre o trabalho intelectual e o trabalho físico, levou ao surgimento duma elite que escapava ao quadro dos interesses dos diferentes estados.
As distintas fases de desenvolvimento da divisão social do trabalho contribuíram para elevar sensivelmente a produtividade do trabalho e criar as premissas materiais para o aparecimento da propriedade do solo, da apropriação dos meios e dos produtos do trabalho. Contribuiu igualmente para tornar mais consistente a existência de sociedades baseadas na divisão entre classes dominantes e classes subordinadas.
Sob o capitalismo, a produção especializa-se e tem como objetivo exclusivo a obtenção de lucro. A divisão social do trabalho desenvolve-se espontaneamente, com o avanço desigual dos diferentes ramos de produção, acompanhado duma luta constante competitiva e duma desordem e dissipação do trabalho social. Os limites das economias nacionais são ultrapassados pelo desenvolvimento do comércio internacional, circunstância que dá lugar a uma divisão internacional de trabalho.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

-MORRE O MESTRE NIEMEYER.




Por Jeorge Luiz Cardozo

Se a complexidade que o movimento arquitetônico delineado por Niemeyer representou na historia recente do Brasil deve ser vista como raiz de nossa consciência que, até então, encontrava adormecida na contemporaneidade, então não se deve ressaltar apenas a dimensão metódica e harmoniosa dos seus traços em torno de um só eixo dessa consciência de avançarmos não só como sociedade em desenvolvimento, mas, acima de tudo, como sujeito crítico de um desenvolvimento desigual e não linear. Deve haver no pensamento de Niemeyer um espaço equivalente para a fantasia, a angústia, o desejo, à vontade, a sensação e o medo também das mudanças em curso. Neste sentido ‘e que estaríamos construindo uma sociedade mais igual, mergulhando fundo em nossa raiz, neste sentido ‘e que seriamos realmente radicais e poderíamos de fato, fazer uma sociedade socialista como preconizava o grande mestre Oscar Niemeyer... Saudações eternas, grande mestre.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

-AS MASSAS, A POLITICA E O POLITICO.




Por Jeorge Luiz Cardozo

Mas como se põe o povo em relação à política e o político nos dias de hoje? Há crenças no político e na política atualmente? Essas perguntas representam uma posição embaraçosa. Por força da tradição, a política e o político ‘e palidamente respeitada, mas, no fundo, objeto de desprezo pela maioria da população brasileira. A opinião corrente ‘e de que a política e o político nada fazem e carece de qualquer utilidade prática. ‘E escachada em público, mas, existirão realmente fundamentos nessas analises? A incapacidade técnica e moral de grande parte dos políticos merecem tal descrença.       
A descrença se traduz no fato de que a cultura política delineada em nossa sociedade ‘e de que, os políticos, na sua maioria, na fazem nada, só compram votos, e, depois, eleitos, só fazem roubarem. Destarte, a população mais carente (que são a maioria), não a compreende; diz que está além do seu alcance; não tenho vocação para ela; e, portanto, não me diz respeito. Ora, isso equivale dizer: ‘e inútil o interesse pelas questões fundamentais da política; cabe as massas absterem-se de pensar no plano geral para mergulhar, através de trabalho consciencioso, num capitulo qualquer de atividade prática ou intelectual o que seja a política e o papel do político; quanto às minorias, abastadas, essas dominadoras do capital e, portanto, detentoras dos meios ideológicos de dominação fomentam essa idéia de que política ‘e coisa de poucos, especialmente, de quem tem capital.
A polêmica torna-se encarniçada, por um instinto vital, ignorado de si mesmo, odeia a política e o político, mas, no entanto, na hora H, fazem campanhas ferrenhas pra seus candidatos, geralmente, em troca de pagamento, ou, deslumbrando uma possibilidade de emprego.
Essa idéia ‘e perigosa. Se o povo a compreendessem tal teoria, adquiriam outro estado de espírito, veriam a política e o político, como sujeitos que são pagos para cuidar da coisa pública, e, não negociadores de votos e de cargos.  
‘E dessa má crença, que surgem os detratores que desejam afirmar que todo político não presta e são ladrões. Portanto, ‘e preciso substituir essa velha fórmula de se fazer política, por algo novo e totalmente diverso. Ela, a política e o político são desprezados como produto final e mendaz de uma cultura falida. A insensatez das preposições do povo e, até mesmo, dos políticos, ‘e ironizada. E a política vê-se denunciada como instrumento servil de poderes e ostentações para poucos.
Muitos políticos vêem facilitando seu nefasto trabalho pela ausência de uma cultura ética e moral inclusiva. Massas são manipuladas quando não pensam, mas tão-somente usam de uma inteligência de rebanho. ‘E preciso impedir que as massas se tornem sensatos. Mais vale, portanto, que a política e o político sejam vistos como algo entediante, longe do alcance das maiorias, para que, essas minorias abastadas, se apossem do poder, criando essa idéia de distancia entre os “cidadãos” e o poder político e econômico vigente.
Assim, a política e o povo se verem rodeado de inimigos, a maioria dos quais não tem consciência dessa condição. A autocomplacência burguesa, os convencionalismos, os hábitos de vender e comprar votos dá a política e o político o “status” de autodistante das massas.
Embora pareça crer que todos os políticos são corruptos, essa ‘e uma premissa falsa. Temos como poucos exemplos de nomes na política que, historicamente são honestos e, aqui tomamos a audácia de citar alguns nomes: Eduardo Suplicy, Pedro Simon, Waldir Pires, Ivan Valente, Heloisa Helena, entre outros menos conhecidos que, até que se prove ao contrario, são honestos.
O que precisamos então, ‘e de educar melhor o povo, partindo pelos próprios educadores que, no nosso dia a dia, são os primeiros a se utilizarem da má fé no processo eleitoral, apóiam candidatos em troca de angariar futuros cargos e, até mesmo, buscar promoções. Eis ai, uma das causas da grande descrença das massas na política e no político, a péssima qualidade da educação.