segunda-feira, 25 de julho de 2011

- América Latina para além dos dados

Brasil de fato, São paulo,21 julho de 2011.

América Latina para além dos dados

 
21/07/2011
 
por: Roberta Traspadini
 
Segundo a Cepal, somos 594 milhões de latinoamericanos. Em nosso fértil território com profundas possibilidades de inclusão e de pertença, vivem 183 milhões de pobres e 74 milhões de indigentes, fruto do histórico modo de produção capitalista.
Na divisão por idade somos compostos por uma maioria jovem: 27,3% (até 14 anos); 33,6% (15 a 34 anos), 19% (35 a 49), 11,8% (50 a 64 anos), e 8,3% com 65 anos para cima.
Temos uma população economicamente ativa (PEA) de quase 277 milhões, dos quais 164 milhões são homens e 113 são mulheres.
Nos últimos anos, aumentou no continente o emprego formal (51%), frente à queda no índice de desemprego (em 2000 era de 10,4%, em 2010 caiu para 7,6%).
Com uma população urbana de 79,3%, uma taxa de analfabetismo de 8,3% na população acima de 15 anos, e uma taxa de fecundidade de 2,3 filhos por casa ao longo dos anos 2000, a América Latina, vai traçando hoje o que será a ordem do dia da produção de vida de amanhã.
1. Questão social e educação
Na questão social da educação, dois dados merecem atenção.
1) os 20% mais ricos se apropriam 19,3 vezes a mais da riqueza e da renda no continente, em comparação aos 20% mais pobres.
2) dos jovens entre 25 a 29 anos, apenas 8,3% concluíram o terceiro grau. Na comparação entre jovens ricos e pobres, apenas um jovem pobre consegue concluir o 3º grau, em comparação a 27 jovens de melhor poder aquisitivo que terminam.
A situação das jovens mulheres latinoamericanas de 15 a 29 anos, é ainda mais complexa. Enquanto 80% das jovens com maior renda participam do mercado de trabalho formal no continente, menos de 50% das jovens pobres conseguem estabelecer vínculos formais.
O gasto público com educação é de 5% do PIB e o total de estudantes públicos na região é de 91 milhões no ensino fundamental e médio, em contraposição a 19 milhões em escolas particulares.
2. O que os dados não mostram
Os resultados do período neoliberal são catastróficos. A aparente melhoria de vida encobre a essência do endividamento e da nova forma do capital apostar nos seus ganhos sem fronteiras, utilizando para isto as políticas públicas para revigorar seus ganhos.
A corrida do grande capital tem gerado uma forma de fazer política cujo conteúdo histórico segue o mesmo: a apropriação privada da riqueza e da renda advinda da exploração do trabalho em solo latinoamericano.
Por um lado, os trabalhadores são induzidos a uma nova lógica de consumo e, para produzirem sua sobrevivência com base numa gama de necessidades técnico-científicas oriundas da produção dos países centrais, entram no caminho sem volta do endividamento pessoal.
Por outro lado, o capital industrial dá passo atrás e retoma a histórica participação latina de produtora de bens primários para abastecer os países centrais.
Os latinoamericanos transformam-se assim, desde a infância, em consumidores dos atuais bens vendidos como de primeira necessidade – celulares, computadores, vários mps, entre outros. Para isto, precisam ser primeiro consumidores de crédito para depois adquirir tais bens.
O endividamento familiar torna-se peça chave da inclusão nessa sociedade na qual os latinos trabalham, mas que não os permite consumir o básico necessário com o salário que ganham.
A educação precária torna-se regra da operação do capital no continente, tanto no que tange à remuneração e contratação dos professores, quanto ao conteúdo das disciplinas formais lecionadas.
A educação formal para o consumo e não necessariamente o trabalho formal, empobrece a compreensão de totalidade da jovem futura classe trabalhadora e reforça o palco fértil para a consolidação da alienação como requisito básico de venda de bens importantes mas não necessariamente vitais.
Nessa linha, o desenvolvimento como sinônimo de consumo, modernidade e tecnologia ganha mais força do que nunca e entra na mentalidade da classe que vive do trabalho como algo natural em vez de construído historicamente.
O cenário latinoamericano necessita de políticas públicas de Estado que promovam mudanças substantivas no que diz respeito à tomada do poder e da orientação sobre a prioridade do pacto social no continente, com primazia para a centralidade do trabalho e da educação.
Além disto, requer que a política de integração crie condições para que a prioridade dos sujeitos coloque limites à soberania dos mercados liderados pelo capital (inter)nacional. A integração dos povos necessita modificar o histórico caminho no continente em que desenvolvimento e dependência aparecem como constitutivos do sentido do trabalho alienado.
Necessitamos com urgência de uma política de Estado de transição que coloque na trilha as modificações estruturais que reorientem o sentido do trabalho, da socialização da produção, da riqueza e da renda no território. Caso contrário, a melhoria dos dados permanecerá como sinônimo de uma conta maior a ser paga pelo trabalho.
 
Roberta Traspadini é economista, educadora popular, integrante da consulta popular/ES.
 

- Objetivo da formação política


                            Objetivo da formação política
 Realizar uma  práxis militante transformadora

por: professor Eliziário Andrade


        A visão de mundo da APS e sua forma de organização têm por base as referências teóricas de Marx, Engels, Gramsci, Lênin e outros pensadores revolucionários. Essas referências, no entanto, não são dogmas inquestionáveis, conhecimentos auto-reveladores, nem manuais, sobretudo no que se refere às formas de luta e de organização, que devem subordinar-se à política e às condições reais em que se dá a luta de classes, em cada momento histórico, em cada país e em cada contexto. A teoria revolucionária, portanto, não é cópia mecânica e doutrinária de qualquer modelo transposto para nosso país e realidade. Em verdade, Marx, tal como Lênin e Gramsci nunca generalizaram experiências locais, limitadas no espaço e no tempo, ao contrário, deram relevância às condições particulares e históricas em que a luta de classes e revolucionária se desenvolvem.

     Para nossa compreensão do materialismo histórico dialético tem – como método e teoria – a atualidade da revolução socialista da classe despossuída dos meios de produção como premissa. Neste sentido, a revolução constitui o núcleo da doutrina marxista, como fundamento objetivo para a transformação efetiva da história e como chave para a sua compreensão enquanto teoria da práxis transformadora, visando à ruptura radical com o capital e a emancipação dos trabalhadores da lógica que explora, oprime, aliena e nega a condição humana de se desenvolver plenamente.

 E mesmo na atualidade, como bem assinala Florestan Fernandes,

 “(...) a necessidade da revolução contra o capital nem desapareceu para sempre, graças às ‘reformas capitalistas do capitalismo’, nem se atenuou ou foi vergada pelo nosso sistema de poder mundial do capitalismo. Essa necessidade se mantém tão viva e tão forte que a contra-revolução em escala mundial não logra atingir mais do que seus fins superficiais, ainda que isso seja bem visível nas nações capitalistas de periferia. O que importa: a ‘verdadeira revolução’ cresce juntamente com a modernização e a internacionalização do capital: a contra-revolução ativa ou reativa o seu contrário, o que faz com que hoje o marxismo seja tão verdadeiro e ameaçador na esfera da práxis, quanto na teoria” (Florestan, F. “Nós e o marxismo”. In: Cadernos Ensaio 1, S. Paulo: Ed. Ensaio, 1987).

  Entre a esfera da práxis e da teoria, há uma relação dialética que nos permite compreender que só no plano prático, é possível demonstrar um conhecimento verdadeiro sobre os problemas que a realidade nos impõe. Por isso o militante em sua formação deve atentar para o que Marx  adverte sobre a dimensão verdadeira ou falsa de um pensamento, de uma teoria ou reflexão sobre a realidade e os fatos.                                      

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           
“O problema de se ao pensamento humano corresponde uma verdade objetiva não é um problema da teoria, e sim um problema prático. É na prática que o homem tem que demonstrar a verdade, isto é a realidade, e a força, o caráter terreno de seu pensamento. O debate sobre a realidade ou a irrealidade de um pensamento isolado da prática é um problema puramente escolástico” (K. Marx. II Tese sobre Feuerbach. Obras Escolhidas. Vol.3, Rio de Janeiro: Ed. Vitória, 1963).
                            


        Entende-se que a teoria descolada da atividade prática e sensível do homem enquanto um ser social, da materialidade da sua vida e da sua cultura, não pode nos levar a nenhum conhecimento ou elucidação da essência da “coisa em si”, mas apenas há uma abstração alta referenciada na razão, em sua lógica formal e interna ou na subjetividade interior. Por esse motivo, Marx esclarece que “A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana só pode ser apreendida e racionalmente compreendida como prática transformadora” (Ibidem, tese III).
  
     É preciso, todavia, compreender o critério da práxis como elemento fundante do pensamento de Marx, não como sinônimo de hiperativismo, antintelectualismo. A sua intenção quando apresenta a famosa tese XI sobre Feuerbach, “Até agora os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo; trata-se agora é de transformá-lo”, é dizer de forma profunda que a transformação do mundo é a condição de uma interpretação correta e objetiva e esta perspectiva implica num ato político, na ação, e não meramente numa solução “teórica”.

     Aqui, o que Marx procura mostrar é que – independente da nossa vontade - sempre há práxis (na maior parte das vezes inconsciente) no movimento da própria realidade e história. O pensamento hegemônico e a ideologia dominante, respaldados pela fetiche da imediaticidade da vida e universalidade empírica, tendem a ocultar essa unidade profunda entre teoria e prática; busca separá-las para legitimar o universo teórico de “pura interpretação” da realidade. Mas, como o próprio Marx, enfatiza, não há leitura ingênua, compreensão pura ou neutra. Toda interpretação do mundo, toda forma de conhecimento do real está inevitavelmente situada pelo posicionamento de classes, bem como pela perspectiva político-ideológica, os interesses materiais, os condicionamentos culturais ou a subjetividade – consciente ou não – do intérprete do real que não é um ser isolado, encerrado em si mesmo, mas situa-se numa condição histórica, social, de classe e cultural.

 Portanto, ao negar essa unidade dialética entre teoria e prática, entre o pensamento e a materialidade da vida real, a ideologia dominante nos impõe um conhecimento pseudoconcreto (fragmentado, aparente, desraizado, amparado apenas na dimensão empírica imediata), ocultando e desconstruindo as relações complexas da totalidade da formação sócio-econômica, jurídico-político e cultural para manter um conhecimento que é propriamente um ato de dissimulação e fuga da natureza determinativa do real, isto é, da “coisa em si” que produziu e continua – em seu movimento - gerando a existência do real. Isto porque, a burguesia enquanto sujeito histórico dominante que encarna os objetivos e a lógica que rege o capital – não pode conhecer e admitir a existência da “coisa em si”, de sua essência, a de que o mundo real é resultado de um processo de produção fundado na expropriação do trabalho (fonte geradora da riqueza) e de sua alienação. Algo que, no mínimo, abriria a possibilidade de questionamento e deslegitimação da sua própria “particularidade” histórica que a burguesia e seus aliados preferem crer que é “universal”, eterna e natural.

 Por essa razão, a APS compreende que a formação política do militante, torna-se uma necessidade cada vez mais premente no seio da luta de classes, no processo de organização do proletariado, no estudo teórico do marxismo, da realidade brasileira e mundial e na perspectiva da construção da sociedade socialista, rumo ao comunismo. O que afasta de qualquer noção elitista, diletante de formação política do militante, deve ser visto, na visão de Gramsci, como um “intelectual orgânico”, no sentido de estudar, ser organizado, organizar as classes trabalhadoras e possuir um estreito vinculo com os objetivos táticos e estratégicos das classes trabalhadoras.

A APS é um meio, um instrumento a serviço da ação revolucionária e do projeto político de construção do socialismo em nosso país. Mas, para atingir esse objetivo, o militante precisa contribuir com o estudo teórico do marxismo e aprofundar o conhecimento sobre a realidade na qual intervém de forma coletiva e organizada. O que diferencia o militante da APS de um mero grupo de ativistas do movimento, que atua na realidade estimulado apenas por sua intuição, emoção e desejos imediatos, pela impulsão ou explosão dos movimentos. É muito mais que isso, consiste em se apropriar do instrumental teórico necessário à interpretação cada vez mais complexa da realidade contemporânea, capaz de orientar e conduzir sua ação sistematizada e calculada a partir da concepção tática e estratégica da nossa organização política. Trata-se de uma práxis reflexiva que interage com o conhecimento do espontâneo no seio da ação das massas e, por conseguinte, se torna verdadeiramente revolucionária. Tal é o sentido dessa formulação de Lênin: “Sem teoria revolucionária não pode haver movimento revolucionário”. É o que chamamos de práxis transformadora, criativa que não superestima o elemento espontâneo nem o elemento reflexivo isoladamente, pois, no primeiro caso, teríamos o aviltamento do papel da teoria na prática revolucionária e, no segundo, o desconhecimento dos elementos espontâneos que surgem no início ou durante o processo prático revolucionário.

       A obra de Marx, no que diz respeito à transformação revolucionária da sociedade, tem por base uma justa relação dialética entre ambas as dimensões: consciência das condições objetivas da realidade e do desenvolvimento subjetivo, espontâneo do sujeito social em sua atividade política. Mas, não se passa diretamente de uma práxis espontânea a uma práxis transformadora, criativa, mesmo considerando a interação entre ambas as dimensões e a existência de vislumbres de consciência na primeira situação. Quer reportemos ao militante ou a classe trabalhadora é necessário apropriar-se de uma consciência e ideologia transformadora, contra hegemônica, socialista e revolucionária durante a atividade política e os objetivos definidos, no terreno da conflitividade social e econômica da luta de classes.

 Dessa maneira, a formação política DO MILITANTE da APS, é uma preparação para a luta revolucionária, uma escola onde se disputam – no cenário da cultura dominante – a consciência e ação para um projeto socialista de transformação da sociedade para além do capital, onde se possa abrir caminho para a emancipação completa do trabalho e do homem dos ditames das leis que regem a reprodução material da sociedade capitalista. Por isso, formamos militantes, sobretudo, anticapitalistas, socialistas, comunistas e solidários, não para constituir  uma seita sectária, fechada, doutrinarista, autoritária – mas sim, para realizar objetivos de forma aberta, reflexiva e transformadora; tarefas que colocarão em movimento os nossos sonhos. Sonhos possíveis que, parafraseando Lênin, podem ser escrupulosamente construídos e realizados a partir da doação voluntária e compromisso com os seus princípios e ideário.

       

- Isolado no PT, Suplicy é convidado a se filiar ao PSOL

Isolado no PT, Suplicy é convidado a se filiar ao PSOL.

Por: professor Cardozo

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) voltou a irritar a cúpula petista no estado ao defender a realização de prévias para a escolha do candidato à Prefeitura de São Paulo, em 2012. Por outro lado, ele atraiu a atenção do PSOL.

O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) convidou-o a se filiar ao partido. Argumentou que seria melhor acolhido entre os socialistas do que entre petistas. “Ele me disse que o PSOL tem muita afinidade com minhas posições éticas”, afirmou o senador.

O deputado confirmou: “O Suplicy tem sido sistematicamente rejeitado no PT, mas seria bem vindo ao PSOL. Ele sempre foi muito solidário conosco no debate político nacional.” O senador não pensa em se desligar do PT, partido que ajudou a fundar e ao qual está filiado há 31 anos.

Mesmo assim, antes de encerrar a conversa com Ivan Valente, Suplicy não deixou de perguntar ao deputado se o PSOL apoiaria sua aspiração política atual, que é a candidatura à sucessão do prefeito Gilberto Kassab. A resposta foi rápida: o senador teria de se submeter às previas do partido, mesmo estilo que defende para o PT.

Para irritação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o pedido de prévias feito por Suplicy foi levado ao presidente do PT municipal, vereador Antonio Donato, na noite de segunda-feira (18). Na conversa, Suplicy também afirmou sua intenção de colocar seu nome na disputa interna como pré-candidato. "Queria trocar ideias sobre a importância de realizar prévias", afirmou o senador. "E acho que é legítimo que eu também possa ser considerado como candidato."

O tema das prévias é desconfortável no PT desde que o próprio Suplicy insistiu em uma eleição interna para a escolha do candidato a presidente em 2002. Na ocasião, enfrentou Lula e perdeu por 84,4% a 15,6%. Muitos petistas acreditavam, como creem agora, que o candidato deveria ser escolhido por consenso — a defesa nas prévias desgastou o senador dentro da sigla.

Mais de um ano antes da eleição, as correntes petistas trabalham por um acordo que evite a eleição interna. Apesar disso, aliados da senadora Marta Suplicy indicaram que, se o ministro da Educação, Fernando Haddad, entrasse na disputa, ela pediria prévias. Na semana passada, o ministro disse que seu nome está na disputa.

Marta e Haddad são os dois nomes fortes que anunciaram a disposição de concorrer. O ministro tem Lula como cabo eleitoral. Já os aliados de Marta usam as prévias como forma de mostrar que a militância prefere a senadora a Haddad.

Além deles, os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini já anunciar a disposição de concorrer. O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, é outro que pode entrar na disputa.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

- Cara (o) professoras (es) coordenadora (es),

Cara (o) professoras (es) coordenadora (es),

O bom senso ou razão é ou deveria ser a coisa do mundo mais bem partilhada, pois, cada pessoa deseja ser mais racional do que o é. (René Descartes) (grifo nosso).

Quanto a mim, ao longo minha vida, em certo momento, até desejei também ser mais racional do que o sou. Porém, as pessoas costumam esquecer que é em nossa relação com os outros que agimos de modo justo que demonstramos coragem e outras virtudes, respeitando o direito dos outros em todos os contratos e ações mútuas de todo tipo, assim como em nossas ações profissionais, pois todas essas são experiências humanas. Algumas delas são mesmo consideradas como estando de vários modos, intimamente relacionadas com a falta ou excesso de bom senso. A prudência está fortemente relacionada ao bem moral e o bem moral com a prudência, uma vez que os princípios fundamentais da prudência são dados pelas virtudes, e o padrão correto para as virtudes é estabelecido pela prudência.

Está claro então que em toda a nossa conduta o mais recomendável é sempre o meio termo. Mas devemos nos inclinar por vezes para o excesso, por vezes para a falta, pois dessa maneira, com mais facilidades, alcançamos a justa medida, ou seja, o procedimento correto.

Caros professores e coordenadores, o que quero dizer com as linhas acima, é que está se aproximando mais uma eleição em nosso sindicato (APLB) e, portanto, é o momento de refletimos sobre o verdadeiro papel do sindicato que é, em última instância, defender os interesses da classe e não, está atrelado ao governo como acontece no atual momento da APLB que, aparelhada pela atual gestão, tendo o P C do B a frente, partido esse que tem cargos tanto no governo estadual como no federal, inviabilizando qualquer discussão de interesse da classe que envolva estes dois governos, pois, com medo de perder os cargos detentores, os atuais dirigentes, tem evitado qualquer movimento que vá de encontro a essas gestões. Destarte, este grupo que administra o sindicato já está aí, por mais de 20 anos, portanto, se acham dono do sindicato e não tem estado do lado dos profissionais da educação. O que vemos hoje é o desrespeito com que o governo aliado da atual gestão do sindicato tem feito com os professores, ou seja, desrespeito e mais desrespeito, arrocho salarial, terceirização em massa, comcursados não são chamados entre outras atitudes que fere os direitos constitucionais dos professores e demais envolvidos com a educação.  

Portanto, podemos viver um novo momento nas lutas sindicais com a nova eleição que está por vir na nossa entidade. É chegado o momento de darmos um basta na mesmice que estagnou a APLB a apêndice do governo estadual e federal. Precisamos de novas forças e de pessoas comprometidas com o atual momento de luta contra a ação devastadora das políticas sociais-liberais do atual governo apoiada pela atual gestão da APLB que, só engorda cada vez mais a contas de banqueiros, grandes agricultores, empreiteiros e lobistas do mercado financeiro.

Por esta causa, que apoio e peço aos amigos professores que também votem e apóiem a chapa 02 de oposição à atual gestão da APLB. Lembro ainda, que esta oposição não é só de nomes novos e sim, de uma nova forma de fazer sindicato, com ética, coerência e os interesses dos professores e da educação pública e gratuita acima de qualquer interesse amiúde de pessoas ou partidos políticos.

OS HOMENS ATÉ O MOMENTO SÓ FIZERAM INTREPRETAR O MUNDO,
O MAIS IMPORTANTE AINDA NÃO FIZERAM,
QUE É TRANSFORMÁ-LO.

VOTE E APÓIEM A CHAPA 02.

Saudações,

Professor Cardozo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

- Sobre a legalização da maconha

Por: Professor Cardozo
Em 72 horas, um grupo de poderosos líderes mundiais irá pedir à ONU que acabe a guerra contra as drogas e se mova em direção à legalização. Mas os políticos dizem que a sociedade não irá apoiar políticas alternativas com relação às drogas. Vamos apoiar massivamente esta oportunidade única e agir urgentemente. Assine abaixo, e conte a todos:

Em 72 horas nós podemos ver o começo do fim da 'guerra às drogas'. O tráfico ilegal de drogas é a maior ameaça à segurança da nossa região, mas essa guerra brutal falhou completamente em conter a praga da drogadição, ao custo de inúmeras vidas, da devastação de nossas comunidades e do afunilamento de trilhões de dólares em violentas redes de crime organizado.

Todos os especialistas concordam que a política mais sensata é a regulamentação, mas os políticos têm medo de tocar nesse assunto. Em 72 horas, uma comissão global incluindo antigos chefes de estado e figuras eminentes da política externa das Nações Unidas, União Europeia, Estados Unidos, Brasil, México e mais quebrarão o tabu e irão pedir publicamente novas abordagens, inclusive a descriminalização e regulamentação de drogas.

Este pode ser um momento único -- se um número suficiente de nós pedir um fim a essa loucura. Políticos dizem que entendem que a guerra às drogas falhou, mas alegam que a sociedade não está pronta para uma alternativa. Vamos mostrar a eles que não apenas aceitamos uma política sã e humana -- nós a exigimos. Clique abaixo para assinar a petição e partilhe com todo mundo -- quando nós alcançarmos meio milhão de vozes, ela será entregue pessoalmente aos líderes mundiais pela comissão global:

Nos últimos 50 anos as políticas atuais de combate às drogas falharam em toda a América Latina, mas o debate público está estagnado no lodo do medo, da corrupção e da falta de informação. Todos, até o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, que é responsável por reforçar essa abordagem, concordam -- organizar militares e polícia para queimar plantações de drogas em fazendas, caçar traficantes, e aprisionar pequenos traficantes e usuários – tem sido completamente improdutivo. E ao custo de muitas vidas humanas - do Brasil ao México, e aos Estados Unidos, o negócio ilegal de drogas está destruindo nossos países, enquanto a drogadição, as mortes por overdose e as contaminações por HIV/AIDS continuam a subir.

Enquanto isso, países com uma política menos severa -- como Suíça, Portugal, Holanda e Austrália -- não assistiram à explosão no uso de drogas que os proponentes da guerra às drogas predisseram. Ao invés disso, eles assistiram à redução significativa em crimes relacionados a drogas, drogadições e mortes, e são capazes de focar de modo direto na destruição de impérios criminosos.

Lobbies poderosos impedem o caminho da mudança, inclusive militares, polícias e departamentos prisionais cujos orçamentos estão em jogo. E políticos de toda nossa região temem ser abandonados por seus eleitores se apoiarem abordagens alternativas. Mas pesquisas de opinião mostram que cidadãos de todo o mundo sabem que a abordagem atual é uma catástrofe. E liderados pelo presidente Cardozo, muitos Ministros e Chefes de Estado manifestaram-se pela reforma depois de deixar seus cargos. O momento está finalmente chegando de discutir novas políticas na América Latina, Estados Unidos e outras partes do mundo que estão devastadas por essa política desastrosa.

Se pudermos criar uma manifestação global nas próximas 72 horas para apoiar os pedidos corajosos da Comissão Global de Política sobre Drogas, nós poderemos superar as desculpas estagnadas para o status quo. Em nossas vozes está a chave da mudança -- assine a petição e divulgue:

Nós temos uma chance de entrar no capítulo final dessa 'guerra' violenta que está destruindo milhões de vidas. A opinião pública irá determinar se essa política catastrófica será finalizada ou se políticos continuarão a nos usar como desculpa para evitar a reforma. Vamos nos unir com urgência para empurrar nossos líderes para fora da dúvida e do medo, para cruzar a fronteira e entrar no domínio da razão.

- Slavoj Zizek e a novidade do comunismo.

Por: Professor Cardozo

Sentado num hotel em Copacabana, um dia após fazer uma palestra sobre os impasses da democracia liberal para um Odeon lotado (a convite da PUC-Rio, Uerj, Boitempo e Flacso), o filósofo esloveno Slavoj Zizek parece tomado por um excedente de energia que o deixa num estado próximo à convulsão: durante uma hora de entrevista sobre seus livros “Em defesa das causas perdidas” e “Primeiro como tragédia, depois como farsa” (Boitempo, tradução de Maria Beatriz de Medina), seus braços se lançam em todas direções possíveis pontuando as respostas aceleradas, cheias de parênteses, diálogos encenados e exclamações. Ao mesmo tempo enfática e digressiva, a fala é fiel aos textos que fizeram de Zizek uma referência para a esquerda mundial, nos quais uma aproximação original dos pensamentos de Marx e Lacan serve de ferramenta para um ímpeto aparentemente inesgotável de interpretação crítica da cultura moderna e contemporânea, dos filmes de Hollywood aos pressupostos da democracia representativa até o pensamento de Deleuze ou Antonio Negri. Nessa entrevista ao GLOBO, Zizek explica (entre outras coisas) o que significa hoje ser comunista, e por que é preciso recuperar a ideia de revolução.


Pergunta: Seu livro “Em defesa das causas perdidas” começa pela constatação de que a ideia de revolução está hoje desacreditada no debate político. Esse descrédito, o senhor argumenta, não se explica simplesmente pelo fim da União Soviética ou pela queda do Muro de Berlim, como muitas vezes se diz. Ele estaria ligado a diversas críticas feitas no século XX às noções de verdade e totalidade. Quais são os principais argumentos dessas críticas, e como o senhor pretende contestá-los?

SLAVOJ ZIZEK: Há uma certa moda na filosofia pós-moderna de se tomar a verdade como algo opressivo, que deve ser subvertido. Questiona-se: “quem tem o direito de dizer que algo é verdade?” Em vez da verdade, existiriam apenas opiniões. Até as ciências naturais são tomadas como um fenômeno discursivo, que não teria nenhuma diferença de princípio em relação a superstições e formas de conhecimento baseadas na tradição. Discordo disso. Penso que existe a verdade, que existe a verdade universal, e que ela pode mesmo ser vista politicamente. Por exemplo, o que aconteceu recentemente no Egito foi a universalidade em sua forma mais pura. Não precisamos de nenhuma teoria multiculturalista para entender o que se passava nas ruas do Egito. Quando você tem uma rebelião pela liberdade, pode se identificar com ela de maneira imediata. Quanto à totalidade, esse é um grande mal entendido. A noção hegeliana de totalidade não significa que todos fenômenos particulares sejam no fundo parte de um mesmo todo orgânico. Não! Se você lê Hegel, vê que totalidade é quase o oposto disso. A totalidade é uma categoria crítica, que implica perceber as maneiras pelas quais um certo fenômeno dá errado como sendo parte da essência desse fenômeno. Detesto os marxistas que dizem: “Stalin traiu o verdadeiro espírito do marxismo”. Não, não se pode permitir que isso seja dito. Se as coisas deram tão terrivelmente errado com Stalin, isso significa que havia uma falha estrutural no próprio edifício de Marx. Não acredito nessa baboseira do tipo “a ideia era boa mas infelizmente foi mal realizada”. Aqui eu sou freudiano. O resultado da ideia é como um sintoma, que aponta para algo errado na ideia. Não acho que os liberais de hoje consigam admitir isso. Por exemplo, tive um debate na França com Guy Sorman, um defensor radical do capitalismo e ele dizia: “capitalismo significa justiça e democracia”. Então eu perguntei, “mas e a China hoje?”, e ele respondeu “Ah, mas isso não é capitalismo”. Isso é um pouco fácil demais. Quando você tem um capitalismo que não se encaixa no seu ideal, você diz “não, não, não é disso que se trata”. É como a piada contada por Lacan, “meu noivo nunca está atrasado pois no momento em que se atrasa ele deixa de ser meu noivo”. Claro que você pode dizer, “o comunismo é sempre democrático pois no momento em que não é democrático ele deixa de ser comunismo”. Ok, mas isso é fácil demais.

Pergunta: O senhor no entanto sugere em seu livro que as revoluções são violentas apenas quando não são de fato revolucionárias. Ou seja: quanto mais revolucionária for uma revolução, menos violenta ela será num sentido estrito. Poderia falar sobre isso?

ZIZEK: Escrevi num outro livro algo que me deu muitos problemas: eu disse, “o problema de Hitler é que ele não foi violento o bastante”. E as pessoas ficaram “aaai, você queria que ele tivesse matado todos os judeus?!” Não! Ele não foi violento o bastante nesse sentido autêntico, revolucionário, em que a violência significa transformação das relações sociais, e não tortura ou assassinato. Hitler matou milhões de judeus em nome da manutenção do sistema. O que estou dizendo é que não quero dar a Hitler sequer esse crédito, na linha “ele foi um criminoso, mas era um líder corajoso”. Não, ele não era. Nesse sentido, Mahatma Gandhi foi mais violento do que Hitler. Gandhi é sem dúvida um modelo de paz, mas nesse sentido básico ele foi violento, organizou protestos de massa com o objetivo de impedir o funcionamento do Estado colonial inglês na Índia. Isso é algo que Hitler nunca ousou fazer.

Pergunta: Os críticos da totalidade apontam um outro tipo de violência, que é a violência das ideias. Toda revolução tem pelo menos dois momentos. Um de suspensão total daquilo que é dado, o que o senhor chama de “evento”, citando o termo usado por Alain Badiou. E um segundo momento de estabelecimento de uma nova ordem. É este segundo momento que é percebido como inerentemente violento, na medida em que a nova ordem é estabelecida a partir de abstrações totalizantes que são impostas à sociedade.

ZIZEK: Sim, essa é a crítica padrão, iniciada por Edmund Burke e Joseph de Maistre. Mas, escute. A violência emerge, admito, como uma limitação desses modelos abstratos. Mas acho que essa análise é muito simplista. Há revoluções, afinal, que são bem sucedidas. Veja o milagre da democracia. Sou um crítico das democracias atuais, mas a ideia de democracia é um exemplo maravilhoso de como algo que era percebido na sociedade pré-moderna como o maior momento de perigo e instabilidade pode se tornar parte da estabilidade do novo sistema. Na época das monarquias, ou mesmo nos regimes totalitários, o momento de maior perigo se dá quando o líder morre e o trono fica vazio. Na União Soviética, quando Stalin morreu, mantiveram a morte em segredo por três dias. A ideia da democracia, no entanto, é muito engenhosa. Ela diz: “e se, em vez de tratar o fato de que o trono está vazio como um problema, nós o considerarmos uma solução? O trono está originariamente vazio, e apenas algumas pessoas eleitas democraticamente podem ocupá-lo por um certo período de tempo, de forma limitada. Ninguém tem um direito natural a ocupar o espaço do poder”. Esse é para mim um ótimo exemplo de algo que parecia violento e se torna o próprio fundamento da estabilidade. Então concordo que há um perigo das ideias, mas acho que o dia seguinte é a parte mais importante das revoluções. Não me sinto fascinado por esses momentos de grande mobilização onde todos estão nas ruas, juntos, pedindo mudança. Isso sempre me lembra da França, onde todo conservador hoje, a começa por Sarzoky, diz: “claro, em 1968 eu estive nas barricadas”. O que me interessa é o dia seguinte. A violência do dia seguinte é sinal de uma falha, mas não há sempre necessariamente violência. Se aqueles no poder resistem, é claro que deve haver alguma violência, mas apenas como forma de defesa.

Pergunta: O senhor argumenta, porém, que no interior do horizonte da democracia só é possível pensar em mudanças parciais, reformas...

ZIZEK: Não, aqui serei bem específico. Falo do horizonte da democracia atual. O problema é como revitalizar a democracia. Mesmo Badiou, que às vezes disse coisas malucas, como “o nome do inimigo hoje é democracia”, já especificou essa declaração, explicando que o que ele critica é o modelo atual de democracia representativa. Vou dar um exemplo. Estive na Inglaterra anos atrás, nas últimas eleições vencidas pelos Trabalhistas, quando Blair ainda era o líder do partido. Duas semanas antes da votação, houve na BBC uma grande eleição pública para se escolher a pessoa mais odiada da Inglaterra. Sabe quem ganhou? Tony Blair. E duas semanas depois, Tony Blair foi eleito. O que isso mostra? Mesmo críticos conservadores admitem isso: há uma disfunção da democracia, uma certa quantidade de energia de protesto, frustração, insatisfação, que não pode ser capturada por esses modelos tradicionais puramente partidários e representativos. E então há reações distintas a isso. Desde os “movimentos de uma questão só”, como um movimento pela redução de certos impostos, até essas revoltas aparentemente irracionais, como a queima de carros nos subúrbios de Paris. Isso deveria preocupar qualquer democrata sincero hoje. Como tornar o sistema democrático mais eficiente, de modo que não se tenha explosões de descontentamento que dão expressão a uma energia não capturada pela representação política?

Pergunta: Mas a criação de novos canais de expressão ou atuação política pode ser defendida dentro de uma agenda democrática puramente reformista. Por que seria necessário então recuperar, como o senhor propõe, a noção de revolução?

ZIZEK: Mas espere um minuto, por revolução não quero dizer estado de emergência, polícia revolucionária etc. Por revolução quero dizer apenas, num sentido puramente formal, mudança radical. Talvez nem mesmo uma mudança radical veloz. A revolução seria, simplesmente, por exemplo, que as pessoas no Japão ameaçadas pela radiação nuclear se unissem e exigissem algum tipo de regulação internacional eficiente... Revolução para mim é mudança nas relações sociais de poder.

Pergunta: Um lento processo de transformação não seria o oposto do “evento”, do qual fala Badiou?

ZIZEK: Badiou é muito preciso: para ele, um evento é algo que só pode ser reconhecido retroativamente. E aqui entra o que ele chama de fidelidade ao evento. Não é o grande evento, mas esse trabalho paciente de busca por novas formas, a reinscrição do evento na forma do ser, da vida cotidiana. Para mim, foda-se a revolução, o que me interessa é aquilo que permanece. Não ligo para o que aconteceu na Praça Tahrir. O que me importa é o que vai permanecer daquilo daqui a cinco anos. Nesse sentido, o evento é apenas um ponto de início mítico que abre um certo horizonte de atividade política, e esse é o verdadeiro trabalho, lento e duro. Badiou faz uma referência maravilhosa na qual ele lê esse processo revolucionário segundo as qualidades cristãs definidas por São Paulo: fé, esperança e amor, das quais o amor é a mais importante. Badiou diz: fé é a fé no evento, no sentido de que algo novo é possível; esperança é a esperança de que chegaremos ao objetivo; e amor é para Badiou, como disse São Paulo, o trabalho do amor. O que significa trabalho paciente. É disso que precisamos hoje. Deixe-me dar um exemplo: Obama. Gostei de Obama no começo, e mesmo agora ainda gosto dele em alguma medida, mas sabe por quê? John McCain falava uma língua que para mim era revolucionária de modo apenas superficial. Ele dizia “temos inimigos, como a burocracia, devemos combatê-los e tudo vai dar certo”. Obama, por sua vez, dizia: “nós temos problemas sérios e o que precisamos é de trabalho paciente”. Essa reabilitação do trabalho cinzento diário, talvez a esquerda precise de um pouco disso, não?

Pergunta: O comunismo vai vencer, como o senhor disse ao jornal inglês “The Guardian”?

ZIZEK: Ah, isso é uma provocação. Quis dizer: o comunismo vai vencer ou então estaremos todos na merda. Você tem que dizer algo assim de vez em quando para fazer as pessoas pensarem. Ainda sou um comunista, mas não um continuísta. O século XX acabou. O resultado geral do comunismo foi um fiasco. A social-democracia foi boa enquanto funcionou, mas está hoje em crise. E a lição do sucesso econômico da China e de Cingapura é que o casamento aparentemente eterno entre capitalismo e democracia está se desfazendo. Temos aqui uma forma de capitalismo ainda mais dinâmica do que o capitalismo ocidental, e que funciona perfeitamente em condições autoritárias. Isso deveria nos preocupar. A razão por que me considero ainda um comunista é que vejo uma série de problemas para os quais não há solução possível dentro do modelo do capitalismo liberal global. Entre eles, a questão ambiental, a biogenética, a propriedade intelectual. Para enfrentá-los vamos precisar de um esforço coordenado de larga escala, algo de que nem o mercado nem o Estado tradicional são capazes. Quando as pessoas me dizem “você é um utópico”, eu digo: “a única utopia de fato é acreditar que as coisas podem seguir indefinidamente seu curso atual”. É claro por exemplo que se a China continuar se desenvolvendo na escala atual haverá uma demanda materialmente impossível de se atender. Para mim, comunismo é o nome de um problema. Todos esses problemas são problemas de algo comum (“problems of commons”), de algo que deveria ser compartilhado por todos nós. É uma alegação muito modesta.

- István Mészáros no Brasil

por: professor Cardozo

O filósofo húngaro István Mészáros vem ao Brasil na próxima semana para apresentar a conferência “Crise estrutural necessita de mundança estrutural” em quatro cidades brasileiras (São Paulo, Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro). Os encontros marcam o lançamento de três novos títulos da editora: o livro-homenagem István Mészáros e os desafios do tempo histórico (orgs. Ivana Jinkings e Rodrigo Nobile), o segundo volume de Estrutura social e formas de consciência, de Mészáros; e o número 16 da revista Margem Esquerda, publicação semestral de ensaios marxistas, que nesta edição traz entrevista com David Harvey, artigo de Alain Badiou, entre outros. Em István Mészáros e os desafios do tempo histórico, a Boitempo Editorial presta homenagem à trajetória intelectual de um dos maiores pensadores marxistas da atualidade. A coletânea de ensaios de 22 renomados intelectuais do Brasil e do exterior sobre os escritos fundamentais do filósofo húngaro traz as reflexões que resultaram da última visita de Mészáros ao país, em 2009, quando foi tema do III Seminário Internacional Margem Esquerda.

Todos os eventos são gratuitos.

13/06

18h30 - Salvador (BA)
II Encontro de São Lázaro - FFCH UFBA
Para mais informações e inscrição, visite www.ffch.ufba.br
Estrada de São Lázaro, 197 - CEP 40210- 730, Federação - Tel. (71) 3283-6431
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