quarta-feira, 28 de julho de 2010

- Chomsky: Obama só mudou a retórica

Por: Professor Cardozo


Em visita à Colômbia, onde foi homenageado pela comunidade camponesa de Cauca, o linguista e activista norte-americano afirma que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e a violência nos países que a recebem.

Chomsky: Imagine-se se a Colômbia decidisse fumigar a Carolina do Norte, ou o Kentucky, onde se cultiva tabaco, que provoca mais mortes do que a cocaína. Foto de thelastminute, FlickR

Durante a sua visita à Colômbia, Noam Chomsky falou com exclusividade para a Semana.com.

O linguista e activista norte-americano visitou a Colômbia para ser homenageado pelas comunidades indígenas do Cauca. O cerro El Bosque, localizado no centro de Cauca, perto do Maciço Colombiano, foi rebaptizado de Carolina, o nome da sua esposa falecida em Dezembro de 2008. A homenagem é uma retribuição da comunidade camponesa local pela campanha que Chomsky fez em sua defesa. Os camponeses de Cauca, região que tinha um dos piores registos de direitos humanos do país, foram muitas vezes expulsos das suas terras pela guerra química – apelidada de “fumigação” – feita sob o pretexto da “guerra contra as drogas”.

Semana.com: Que significado tem para si esta homenagem?

Noam Chomsky: Estou muito emocionado, principalmente por ver que pessoas pobres se prestam a tais elogios, enquanto os mais ricos não dão atenção a este tipo de coisas.

Nesta fase da sua vida, o que o apaixona mais: o activismo político ou a linguística?

Tenho sido completamente esquizofrénico desde jovem e continuo assim. É por isso que temos dois hemisférios na mente.

Devido a esse activismo tem tido problemas com alguns governos – um deles, e o mais recente, foi o de Israel, que o impediu de entrar em território palestino para dar uma palestra.

É verdade, não pude fazê-lo, apesar de ter sido convidado por uma universidade palestiniana, mas deparei-me com um bloqueio em toda a fronteira. Se a palestra fosse pró-Israel, tinham me deixado passar.

Essa censura tem a ver com um de seus livros, intitulado “Guerra ou Paz no Médio Oriente”?

É provocada pelos meus 60 anos de trabalho pela paz entre Israel e a Palestina. Na verdade, eu vivi em Israel.

Como classifica o que acontece no Médio Oriente?

Desde 1967 foi ocupado o território palestino, e isso fez da Faixa de Gaza a maior prisão a céu aberto no mundo, onde a única coisa que resta a fazer é morrer.

Chegou a ter ilusões sobre as novas posições do presidente Barack Obama?

Já escrevi que é muito semelhante a George Bush. Fez mais do que esperávamos em termos de expansionismo militar. A única coisa que mudou com Obama foi a retórica.

Que pensou quando Obama ganhou o Prémio Nobel da Paz?

Meia hora após a nomeação, a imprensa norueguesa perguntou-me o que pensava disso e eu respondi disse: "Dado o seu registo, não foi a pior nomeação." O Prémio Nobel da Paz é uma piada.

Os Estados Unidos continuam a repetir os seus erros de intervencionismo?

Têm sido muito bem sucedidos. Por exemplo, a Colômbia tem o pior histórico de violação dos Direitos Humanos desde que começou o intervencionismo militar dos EUA no país.

Qual a sua opinião sobre o conceito de guerra preventiva que apregoam os Estados Unidos?

Esse conceito não existe, é simplesmente uma forma de agressão. A guerra no Iraque foi tão agressiva e terrível que lembra o que os nazis fizeram. Se aplicássemos a mesma regra, Bush, Blair e Aznar seriam enforcados, mas a força é sempre aplicada aos mais fracos.

Que vai acontecer no Irão?

Hoje há uma grande força naval e aérea a ameaçar o Irão, e só a Europa e os EUA acham bem. O resto do mundo considera que o Irão tem o direito de enriquecer urânio. Três países do Médio Oriente (Israel, Paquistão e Índia), desenvolveram armas nucleares com a ajuda dos EUA e não assinaram qualquer tratado.

Acredita na guerra contra o terrorismo?

Os EUA são os maiores terroristas do mundo. Não consigo pensar em qualquer país que tenha causado mais danos do que eles. Para os EUA, terrorismo é o que você nos faz, e não o que nós lhe fazemos.

Há alguma guerra justa dos Estados Unidos?

A participação na Segunda Guerra Mundial foi legítima e aconteceu tarde demais.

Esta guerra por recursos naturais no Médio Oriente pode ser repetida na América Latina?

É diferente. O que os EUA fizeram tradicionalmente na América Latina foi impor brutais ditaduras militares, que não são discutidas devido ao poder da propaganda.

A América Latina é realmente importante para os EUA?

Nixon disse: "Se não pudermos controlar a América Latina, como poderemos controlar o mundo?

A Colômbia desempenha algum papel na geopolítica norte-americana?

Parte da Colômbia foi roubada por Theodore Roosevelt com o Canal do Panamá. Desde 1990, este país tem sido o maior receptor de ajuda militar dos EUA, e a partir desta mesma data tem o maior registo de violação de direitos humanos no hemisfério. Antes, o recorde era curiosamente de El Salvador, que também recebeu ajuda militar.

Está a sugerir que essas violações têm alguma relação com os Estados Unidos?

No mundo académico, concluiu-se que existe uma correlação entre a ajuda militar dada pelos EUA e a violência nos países que a recebem.

Qual a sua opinião sobre as bases militares dos EUA na Colômbia?

Não são uma surpresa. Depois de El Salvador, é o único país da região disposto a deixar que se instalem bases militares. Enquanto a Colômbia continuar a fazer o que os EUA lhe peçam que faça, nunca irão derrubar o governo.

Está a dizer que os EUA derrubam governos na América Latina?

Nesta década apoiaram dois golpes. O fracassado golpe militar na Venezuela em 2002, e em 2004 sequestraram o presidente eleito do Haiti e mandaram-no para a África. Mas agora é mais difícil fazê-lo, porque o mundo mudou. A Colômbia é o único país latino-americano que apoiou o golpe em Honduras.

Tem alguma coisa a dizer sobre as actuais tensões entre a Colômbia, a Venezuela e o Equador?

A Colômbia invadiu o Equador, e não conheço nenhum país que lhe tenha oferecido apoio, a não ser os Estados Unidos. E quanto à Venezuela, as relações são muito complicadas, mas defendo que melhorem.

A América Latina continua a ser uma região de caudilhos?

Foi uma tradição muito má, mas, nesse sentido, a América Latina tem progredido e pela primeira vez o cone sul do continente está a avançar para uma integração que supere os seus paradoxos, como por exemplo ser uma região rica, mas com uma grande pobreza.

O tráfico de drogas é um problema exclusivo da Colômbia?

É um problema dos Estados Unidos. Imagine-se se a Colômbia decidisse fumigar a Carolina do Norte, ou o Kentucky, onde se cultiva tabaco, que provoca mais mortes do que a cocaína.

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

- Wagner (PT) é favorito na disputa pelo governo da Bahia com 44%

Por: Professor Cardozo




69% votariam em um candidato apoiado por Lula

A primeira pesquisa eleitoral realizada pelo Datafolha após a oficialização das candidaturas em 2010 revela que Jaques Wagner (PT) lidera a disputa, com 44% das intenções de voto. O atual governador é seguido pelo candidato Paulo Souto (DEM), com 23% das menções, pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), com 13%, e pelos candidatos Bassuma (PV), e Professor Carlos (PSTU), ambos com 1%. Foram citados mas não alcançaram 1% das intenções de voto os candidatos Marcos Mendes (PSOL) e Sandro Santa Bárbara (PCB). Afirmam votar em branco ou anular o voto, 5% e outros 14% não sabem em quem votar.

O levantamento ouviu 1086 eleitores baianos entre os dias 20 e 23 de julho de 2010, em 51 cidades do estado da Bahia. A margem de erro desta pesquisa é de 3,0 pontos percentuais para mais ou para menos.

O atual governador tem melhor desempenho entre os mais ricos (60%), entre os simpatizantes do PT (61%), e entre os que votam em Dilma Rousseff (60%) para presidente. Já o ex-governador Paulo Souto atinge os melhores índices entre os que têm entre 35 e 44 anos (28%), entre os que votam no tucano José Serra para presidente (39%) e entre os que reprovam o desempenho de Jaques Wagner no governo (35%).

Sem a apresentação do cartão dos candidatos, na intenção de voto espontânea, Wagner tem 25% das citações, Paulo Souto, 7%, Geddel Vieira Lima, 5%. Outros candidatos não atingiram 1% das citações. Não souberam responder 56% e outras citações somam 3%. Ainda existem 3% que afirmam votar em branco ou nulo.

br />Paulo Souto é o candidato mais rejeitado pelos eleitores: 30% não votariam no ex-governador. Geddel Vieira Lima tem rejeição de 20% e Jaques Wagner e Bassuma têm 16%, cada. São rejeitados ainda Marcos Mendes e Sandro Santa Bárbara, com 15% cada, e Professor Carlos, com 13%. Não rejeitam nenhum candidato somam 11% e outros 3% rejeitam todos os candidatos apresentados. Não sabem, 13%.

A rejeição a Paulo Souto é maior entre os mais escolarizados (52%), entre os mais ricos (42%), entre os homens (37%) e entre os que moram na capital (32%). Geddel Vieira Lima tem sua maior rejeição entre os mais escolarizados (32%), e entre os que moram em Salvador (28%).

Perguntados sobre a influência do apoio do presidente Lula a um candidato a governador, 48% afirma que votaria no candidato apoiado por Lula, 25% talvez votariam nesse candidato, e 22% não votariam em um candidato apoiado pelo presidente.

Para a maioria dos entrevistados (57 %) o presidente Lula está apoiando o atual governador Jaques Wagner para a sucessão baiana, porém 6% dizem que Lula apóia o ex-ministro Geddel Vieira Lima, e para 3% ele apóia o ex-governador Paulo Souto. Dos entrevistados, 33% não sabem quem o presidente apóia na Bahia. Em Salvador, 60% afirmam que o apoio do presidente é para Wagner, assim como os mais escolarizados, dos quais, 87% citam o nome do petista como nome apoiado pelo presidente. Os mais ricos (85%) também citam o nome de Jaques Wagner como nome apoiado por Lula.

César Borges (PR) lidera corrida ao senado baiano

Lídice (PSB) com 22% e Walter Pinheiro (PT) com 18% brigam pela segunda vaga.

A primeira pesquisa eleitoral realizada pelo Datafolha após a oficialização das candidaturas ao senado em 2010 revela que César Borges (PR) lidera a disputa com 34% das intenções de voto. Lídice (PSB), com 22% e Walter Pinheiro (PT) com 18% estão tecnicamente e mpatados na disputa a vaga. José Ronaldo (DEM), tem 9% das intenções de voto, Edvaldo Brito (PTB), 7%, Aleluia (DEM), 6%, Edson Duarte (PV), 4%, Carlos Sampaio (PCB), 3% e Zilmar e França, ambos do PSOL com 2% cada. Albione (PSTU) atingiu 1% das intenções de voto. A maioria (65%) ainda não sabe em quem votar para o senado, e 28% votariam em branco ou anulariam o voto se a eleição fosse hoje.

Foram ouvidos 1086 eleitores na Bahia em 51 municípios, e a margem de erro máxima para esta amostra é de 3,0 pontos percentuais para mais ou para menos.

César Borges é preferencialmente escolhido entre os eleitores de José Serra (43%), entre os simpatizantes do PSDB (49%) e entre os eleitores com nível de escolaridade médio (40%). Já Lídice tem melhor desempenho na capital (40%) e entre os que ganham mais do que cinco salários-mínimos (37%). Walter Pinheiro se destaca na capital (25%), entre os mais escolarizados (35%) e entre os simpatizantes do PSDB (31%).

quinta-feira, 22 de julho de 2010

-PSOL: WAGNER TEM MEDO DE ENCARAR ADVERSÁRIOS

Foto: David Mendes/ BN


Por: Professor Cardozo

O candidato ao Governo do Estado pelo PSOL, Marcos Mendes, afirmou que Jaques Wagner desistiu de ir ao debate da UPB no próximo dia 11 de agosto porque, sem as “maquiagens publicitárias e a blindagem de estúdio” típicas de debates de TV, tem medo de enfrentar seus adversários face a face. “Wagner tem que ter coragem de ir para os debates e defender o seu trágico e medíocre governo e a população quer saber o porquê de suas alianças com setores da direita conservadora lideradas por figuras emblemáticas na política como João Leão, Otto Alencar e Roberto Muniz”, disparou. Para Mendes, a atitude de Wagner não difere em nada da típica forma de proceder dos políticos que lideram corridas sucessórias: fuga de debates para evitar críticas dos opositores em um ambiente sem edições de imagens.

-UM EM CADA CINCO ELEITORES NÃO FOI À ESCOLA

Por: Professor Cardozo

Uma em cada cinco pessoas aptas a votar neste ano é analfabeta ou nunca frequentou uma escola. São 27 milhões de eleitores nessa situação. Desses, 8 milhões são analfabetos e 19 milhões declararam saber ler e escrever, mas nunca estiveram em uma sala de aula. No total, há 135,8 milhões de eleitores no país em 2010. A pior situação é no Nordeste, onde 35% dos eleitores estão nesta situação. No Sudeste, são 12%. O voto das pessoas com menos instrução tende a ter menos ideologia e mais personalismo, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis, professor da UFMG. Por isso, afirma, Dilma Rousseff (PT) é quem tem mais condições de angariar votos desse grupo, pois se beneficiaria da associação com a imagem do presidente Lula. Reis ressalva ainda que também têm grande influência os programas sociais e o aumento da renda dos mais pobres. Informações da Folha

-CANDIDATOS NÃO QUEREM DEBATER

Por: Professor Cardozo

Acontece nesta campanha (o que se registrou também em outras) um fato desagradável para os eleitores: a fuga dos candidatos aos debates, certamente com medo de perder voto, ou despreparo mesmo. Dilma Rousseff se nega a participar no primeiro debate pela Internet no Brasil, organizado pela UOL, para a próxima segunda feira. Alega o motivo batido de sempre: “questão de agenda”. Sérgio Cabral, governador do Rio, também não quer debater, e, aqui, Jaques Wagner (se eu não estiver mentindo) comunicou que não vai ao debate organizado pela UPB, União dos Prefeitos da Bahia, que será transmitido pela TV Aratu. Gerou uma grande polêmica, com fortíssimas críticas disparadas por Geddel Vieira Lima, que falou em “medo de discutir seu governo”, pelo presidente da UPB, Roberto Maia, e pelos Democratas, principalmente através do líder da Oposição na Assembléia, Heraldo Rocha, dentre outros. Tudo isso é muito estranho. O debate é uma oportunidade para os candidatos, quem quer que seja, demonstrar sua capacidade de esgrimir com palavras, defender seus pontos de vista, justificar seus governos e, o mais importante, esclarecer os eleitores. Serão realizados diversos debates, e, queiram ou não, eles terão que comparecer, mesmo que driblem alguns. Dilma ficou mal na história porque recebeu criticas não somente dos adversários com, também, de integrantes do comando da sua campanha.




(Samuel Celestino

-JINGLE DE COLLOR RESSALTA LIGAÇÃO COM LULA

Por: Professor Cardozo


Quem viveu o processo de Impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em junho de 92, jamais imaginaria que a relação entre o deposto e um de seus principais algozes, o à época combativo oposicionista Luiz Inácio Lula da Silva, chegaria ao nível que se encontra hoje, 18 anos depois. O jingle do senador e candidato ao Governo de Alagoas, Collor, pede votos aos eleitores exaltando a sua ligação com o ex-sindicalista, agora presidente da República. Na letra do forró que a marquetagem elaborou para revendê-lo, Collor aparece em nova embalagem. “É Lula apoiando Collor/É Collor apoiando Dilma/Pelos mais carentes/Lula apoiando Dilma/É Dilma apoiando Collor/Para o bem da nossa gente". Para complicar, o PTB de Collor está coligado no cenário nacional não à candidatura de Dilma, mas à de José Serra. Presidente da legenda, o deputado cassado Roberto Jefferson é denunciante e réu do mensalão. Rival de Collor na briga pelo governo alagoano, Ronaldo Lessa (PSB) foi à Justiça Eleitoral para pedir o veto ao jingle de Collor, sob a alegação de propaganda enganosa. O TRE expediu liminar favorável a Collor. informação do BN.

-CANDIDATO COM PATRIMÔNIO DE R$ 92 MI É PRESO

Por: Professor Cardozo


O dono de um patrimônio declarado de R$ 92 milhões, candidato a deputado federal nas eleições deste ano por São Paulo, Selmo Santos (DEM-SP) registrou sua candidatura de dentro da cadeia. Ele está preso preventivamente por estelionato desde 27 de janeiro. O postulante responde por estelionato em um processo e já foi condenado pelo mesmo crime em outro, em março deste ano. Ele também responde por falsidade ideológica na Justiça Federal e, em 2004, já havia sido preso por tráfico de drogas, mas sem condenação. Apesar do histórico e do fato de estar atrás das grades, ele não pode ser impugnado com base na Lei da Ficha Limpa porque não há sentença com trânsito em julgado (sem possibilidade de recurso) ou condenação por decisão colegiada. Seu advogado, André Luiz Stival, afirma que, caso seu cliente não seja libertado até o início da propaganda eleitoral em rádio e TV, tentará gravar, de dentro da cadeia, a participação de Santos no horário reservado ao DEM. Informações da Folha.